Por Carla Matsue, Valor Investe — São Paulo
As redes sociais começaram a fazer parte das nossas vidas há tanto tempo que hoje é difícil imaginar como seria o dia a dia sem elas. Hoje os usuários entram nas redes não só com a intenção de se comunicar com outras pessoas que não estão perto. É possível conversar com os amigos, ler notícias, fazer compras, acompanhar – e opinar sobre – o mundo dos famosos, fofocas e até jogar. Essa realidade que parecia inalcançável, hoje não parece nos surpreender.
Novas plataformas de redes sociais aparecem com certa rapidez e algumas somem na mesma velocidade. Fato é que desde aquelas que já foram descontinuadas ou ainda as que só caíram no esquecimento, é difícil não fazer parte de nenhuma.
O aumento no consumo e da inserção de pessoas nessas plataformas desencadeou novas profissões, como são os influencers, que geram renda através de publiposts (como são chamados os vídeos ou posts pagos por alguma marca e realizado por um influencer para divulgar um determinado produto para a sua base de seguidores) ou conseguem monetizar seu conteúdo com o engajamento do público.
O Brasil é o terceiro país do mundo que mais consome redes sociais no mundo, ficando atrás apenas de Índia e Indonésia, aponta estudo da Comscore realizado entre janeiro de 2019 a dezembro de 2022.
Apesar de as redes mais acessadas serem Youtube, Facebook e Instagram, respectivamente, o jovem TikTok, nascido em 2016, vem ganhando espaço e autoridade. “Eu vi no TikTok…”, você já deve ter ouvido alguém usando essa expressão para contar sobre algum assunto que está em alta nas redes ou mesmo para comentar sobre algum conteúdo que viralizou.
Mas como efetivamente ganhar dinheiro com as redes? No TikTok, que é uma das plataformas que mais cresce atualmente, existem caminhos para a monetização: serviços como Programa Criativo TikTok Beta, Mercado de Criadores, TikTok Series, e recursos como os presentes – que são comprados pelos usuários e enviados ao criador de conteúdo. Para monetizar com a plataforma, é necessário ter 18 anos ou mais e seguir as Diretrizes da Comunidade.
É importante destacar que perfis de políticos e partidos políticos não se qualificam para participar de qualquer programa de incentivo ou usar qualquer recurso de monetização. A plataforma não permite propaganda política paga, publicidade política ou arrecadação de fundos por políticos e partidos políticos.
A possibilidade de monetização, de acordo com os seguidores, depende dos requisitos de cada programa aderido pelos usuários no próprio aplicativo. Por exemplo, para o Programa Criativo TikTok Beta, para ser elegível, o criador precisa ter pelo menos 10 mil seguidores, mais de 18 anos e 100 mil exibições de vídeo nos últimos 30 dias.
Já para receber os “presentes", os criadores precisam ter pelo menos 100 mil seguidores no perfil, 18 anos ou mais e uma conta com mais de 30 dias – com vídeo publicado nos últimos 30 dias.
Os valores pagos são feitos por uma conta internacional e é importante salientar que, para alguns programas como o Criativo TikTok Beta, o valor é pago somente quando o criador atinge o mínimo de US$ 50.
Os únicos formatos de conteúdo que não se monetiza são fotos e stories, mas é preciso ficar atento ao programa que o criador de conteúdo participa, pois há diferentes especificações.
Marcela Varella, ou a ‘Tia Má’, como é conhecida nas redes, conta que sua relação com a internet é longeva. Com quase três milhões de seguidores em todas as redes, destes, dois milhões e meio apenas no TikTok, a publicitária de formação que compartilha a rotina e receitas, já trabalhava com vendas e encontrou nas redes sociais uma oportunidade para conciliar o trabalho e a maternidade. A página ‘@coiserasdama’, foi criada com foco nas vendas das coisas da tia Má, assim, em 2015, ela começou a usar as redes para mostrar os produtos que vendia e de forma orgânica, os perfis cresceram.
Já com os seguidores fiéis, começaram a surgir outras formas de renda, ainda através da internet. Uma bastante conhecida é a divulgação de outros lugares e produtos usando a sua própria rede para divulgar, o famoso ‘publipost’. “Depois de dois anos vendendo para mim, eu fui começar a vender para os outros. E aí começou a dar certo”.
A renda vinda da internet foi uma construção de anos, com os seguidores e o engajamento do perfil, que permitiram um giro de renda que fizeram com que Marcela abandonasse as vendas de seus produtos, que davam um “trabalhão”, afinal, era preciso ter estoque, se deslocar para buscar, levar, trocar quando houvesse necessidade e tudo mais que envolve a negociação de produtos físicos. “Foi aí que eu percebi que estava sendo legal tirar essa renda sendo influencer”, explica.
Por não simpatizar muito com o termo ‘influenciadora digital’, Marcela se denomina mesmo como publicitária, solitária e comunicadora. “Eu acho que eu criei uma imagem real, as pessoas me assistem e me enxergam como uma pessoa de confiança, assim, as marcas também começaram a me procurar”, conta.
A história com o TikTok começou em 2019 e logo em 2020 ela já fechou contratos em termos nacionais, e assim o negócio foi tomando forma. “Hoje eu posso falar que é possível ganhar um bom dinheiro na internet, mas a minha experiência ainda não é na monetização. A principal renda vem do patrocínio de marcas, com a contratação da imagem”, conta.
Mas no mar de criadores de conteúdo, é preciso ter algo que te destaque. Questionada sobre o seu diferencial, Marcela acredita que é o tête-à-tête que faz a diferença. “Eu gosto de responder as pessoas diretamente, dar atenção, conversar, me dedico a responder as pessoas por vídeo. Tenho carinho pelos meus seguidores e acho que as marcas gostam de mim por causa disso”, comenta.
Na opinião dela, para ser um profissional completo e atuar de forma assertiva para de fato ganhar dinheiro nas redes sociais é preciso criar conteúdo de forma constante. “De nada adianta você ganhar três meses, seis meses, um ano de uma boa monetização e depois acabar”, pontua.
Marcela conta que, por ser mais velha, tinha receio que as marcas não quisessem fechar contratos com ela, mas na verdade, não foi isso o que aconteceu. Como em todo ramo, também há quem dê golpes. Mesmo já tendo experiência, ela conta que já foi contratada para fazer publicidade, fez e não recebeu. Então, é preciso ficar atento com as parcerias e com a reputação das empresas.
“Eu sentia que não teria espaço no meio da moçada, mas aprendi e vejo que tem espaço para todos e eu adoro trabalhar com isso”, finaliza a publicitária.
Thiago Muniz, CEO da Receita Previsível no Brasil, professor da FGV e especializado em vendas, marketing e tecnologia, explica que os jovens têm um jeito de se relacionar com as redes, diferente dos adultos, mas um fato que afeta a todos é que, independente da idade, hoje o usuário gasta muito tempo nas redes sociais. “Em qualquer rede que seja, o algoritmo é feito pra te manter preso lá, usar os aplicativos já fazem parte da nossa rotina”,
Muniz explica que hoje, com a internet, é possível que pessoas com menos conhecimento sobre um determinado assunto monetizem mais do que quem tem uma estrada maior. Basta saber criar o conteúdo e atender o público.
Na opinião do especialista, para quem quer crescer nas redes, é importante entender a maturidade daquela rede que você quer adentrar para ter facilidade de crescer organicamente.
O professor ainda conta que é possível criar uma estratégia de crescimento para as redes sociais com investimentos de pequenos valores para impulsionar os conteúdos e aumentar o engajamento das publicações, ajudando a validar os conteúdos ou serviços que o criador oferece.
Todavia, é preciso tomar cuidado quando se imagina que a carreira na rede social será infinita, afinal, o comportamento do usuário muda e se renova, então para quem quer viver da internet, o especialista recomenda que se pense em uma “esteira de produtos” para não depender de um único canal e usar a visibilidade das redes para ganhar dinheiro.
Muniz lembra que, se não há tanto tempo disponível, é importante otimizar o tempo e focar na rede que performa melhor ao influenciador. Também é preciso ter cuidado com a linguagem usada. “Se o objetivo é vender alguma coisa para quem não sabe cozinhar, todo o conteúdo tem que se comunicar com esse público. Se a intenção é ensinar a ganhar dinheiro com cozinha, é preciso adequar o contexto e a linguagem para esse nicho”, explica.
Andreia Justos, a “Barbie mecânica”, é mecânica, proprietária de uma oficina na Vila Mariana, em São Paulo, e faz vídeos para o TikTok. Assim como muitos criadores de conteúdo, ela também começou a compartilhar a rotina de sua oficina na rede. Por estar presente em um nicho dominado por homens, ela desenvolveu uma relação de confiança com as mulheres através dos vídeos que posta, mostrando o atendimento de carros de clientes e dicas para os motoristas cuidarem de seus veículos.
Em vários casos, o sucesso nas redes se traduz em mais negócios no mundo real. Depois de viralizar na plataforma, a mecânica conta que notou um aumento significativo de procura por serviços na oficina, principalmente por mulheres. “Muita gente chega na loja dizendo que me acompanha nas redes e que quer agendar uma avaliação comigo”, comenta.
Andreia é quem grava, edita e narra todos os vídeos que posta. Ela conta que seu intuito é ensinar as pessoas sobre os veículos que elas dirigem para que não sejam enganadas quando tiverem que ir a algum mecânico, que pode se aproveitar da falta de conhecimento para lucrar.
A Barbie Mecânica também criou um curso para ensinar as pessoas sobre os veículos que dirigem e como fazer manutenções básicas, como medir óleo, colocar água, ou mesmo calibrar e trocar os pneus.
“No começo, eu não sabia muito bem como fazer, agora eu vejo que me trouxe bons resultados, principalmente para a oficina, que ganhou visibilidade e novos clientes”, finaliza.
Andreia e Marcela são dois exemplos de criadoras de conteúdo que conseguiram utilizar a plataforma para promover seus trabalhos no mundo real e alavancar a renda, seja através de publicidade, como é o caso de Marcela, ou mesmo com aumento de procura no trabalho, como Andreia. E assim como as duas, hoje, milhares de ‘tiktokers’ usam a viralização do aplicativo e os seguidores para impulsionar vendas, parcerias e até monetização direta, fazendo uma renda extra ou mesmo a principal fonte de renda.
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