Por Heiko Hosomi Spitzeck
Diretor do Núcleo de Sustentabilidade da Fundação Dom Cabral


No dia 25/9, houve a premiação das empresas vencedoras do anuário Época Negócios 360º, que avalia o desempenho das empresas em seis categorias: desempenho financeiro, ESG/governança, ESG/socioambiental, pessoas, inovação e visão do futuro. Atuo como coordenador do projeto desde seu começo, em 2012, e analisei os dados da última edição para ver quais são os avanços na agenda ESG nas grandes empresas brasileiras.
O cenário ESG se mostra muito dinâmico na agenda corporativa porque muitas empresas ainda estão aprendendo a lidar com questões de governança, questões sociais e ambientais na sua tomada de decisão e, consequentemente, no sistema de gestão.

Consolidação da Governança

Os avanços mais significativos vemos na questão do G – da governança. Cada vez mais comitês ESG foram constituídos nas TOP 30 empresas e atrelados aos conselhos de administração, aumentando de 59%, do levantamento do ano anterior, a 79%. Isso se reflete também na melhor qualidade dos relatórios de sustentabilidade das empresas: 83% dos TOP 30 contratam uma auditoria independente para verificar questões ESG. Porém, isso ainda não se aplica para a maioria das empresas: só 34% da amostra geral fazem auditoria e 23% das empresas em geral nem prestam contas sobre seu desempenho socioambiental.

Temas quentes

A pressão dos mercados internacionais e a procura por investir no combate às mudanças de clima estão chegando ao Brasil. O tema mudanças climáticas está conquistando a liderança entre as principais preocupações nas organizações. 70% dos TOP 30 e 40% das demais empresas estão priorizando o clima, seguido por bem-estar dos funcionários (TOP30/demais empresas – 43%/48%) e diversidade (37%/34%). Para trocar ideias com outras organizações sobre ESG, o Pacto Global Rede Brasil está se consolidando como a rede de referência para avançar na agenda ESG (81%/46%).

Show me the money!

O business case também fica cada vez mais claro para os TOP 30 em relação às demais empresas. Pelo lado de investimento vemos que 60% dos TOP 30 investem mais que 2% da receita líquida em sustentabilidade. O retorno se manifesta em várias frentes: mais de 80% de todas as empresas notam uma redução de custos em geral, muito provavelmente por questões de eficiência de uso de recursos como ex. energia. E 73% versus 30% notam uma redução de custo de capital. Obviamente, o tema de mudanças climáticas é predestinado a atrair capital com condições mais favoráveis internacionalmente. Os benefícios vão além da redução de custos e moldam também a receita: 46% versus 23% das empresas relataram que mais de 15% da receita líquida vem de produtos e serviços mais sustentáveis.
Com estes resultados fica evidente que um negócio sustentável traz benefícios financeiros. Se sua empresa ainda não consegue usar ESG para alavancar os resultados de negócio, fica a dica: comece já! O anuário completo Época NEGÓCIOS 360º será publicado em 5 de outubro no Globo Mais e chega às bancas no dia 11 de outubro.
*Heiko Hosomi Spitzeck é diretor do Núcleo de Sustentabilidade da Fundação Dom Cabral
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